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Burlas e fraudes

Emprego falso por WhatsApp: gostos pagos e tarefas online

Como funciona a burla do emprego falso por WhatsApp e Telegram, com tarefas pagas no início e depósitos depois, segundo os alertas da PJ e do Banco de Portugal, e o que fazer se já caíste.

Equipa JaPassa · · 5 min de leitura

A burla do emprego falso por WhatsApp começa com uma oferta de trabalho que ninguém pediu: tarefas simples, como dar gostos em vídeos ou escrever avaliações, pagas acima do normal. Nos primeiros dias o dinheiro chega mesmo, em pequenas quantias, para ganhar a tua confiança. Depois aparecem as «tarefas especiais», que exigem que deposites dinheiro teu, e esse dinheiro não volta. A Polícia Judiciária e o Banco de Portugal têm alertado repetidamente para este esquema.

Como funciona o «job scam», passo a passo

O primeiro contacto

Segundo o alerta da Polícia Judiciária de abril de 2026, divulgado na campanha «Ilusão Online», o contacto chega normalmente de forma direta, por SMS ou por aplicações de mensagens como o WhatsApp e o Telegram. As ofertas falam em funções de vendas ou de marketing digital. O Banco de Portugal acrescenta que estas mensagens chegam muitas vezes de números estrangeiros e prometem salários elevados por pouco trabalho.

As tarefas fáceis e bem pagas

As tarefas descritas pela PJ e pelo Banco de Portugal são sempre simples:

  • seguir perfis ou aumentar artificialmente seguidores em redes sociais;
  • dar gostos ou ver vídeos;
  • escrever avaliações falsas de hotéis ou alojamentos.

Pouco depois, a vítima é convidada para um grupo de WhatsApp ou de Telegram com outros supostos trabalhadores, que publicam capturas de ecrã dos ganhos. Muitos desses participantes fazem parte da burla.

Os primeiros pagamentos

Segundo o Banco de Portugal, os burlões podem pagar pequenas quantias no início, para criar confiança. É este pormenor que torna o esquema tão eficaz: a vítima recebe dinheiro a sério e convence-se de que o trabalho é real.

Os depósitos

Depois chega a fase em que a vítima tem de pagar: uma «taxa de inscrição», um adiantamento para aceder a tarefas mais rentáveis, ou um pedido para «reinvestir» os ganhos, muitas vezes em esquemas com criptoativos. Quando a vítima quer levantar o dinheiro ou desconfia, os contactos deixam de responder e os grupos e páginas desaparecem.

A variante da conta mula

Há uma versão ainda mais perigosa. A PJ alerta que algumas ofertas pedem que a vítima use a sua conta bancária pessoal para receber e transferir dinheiro de supostos clientes, por exemplo através do MB WAY. Na realidade, o Banco de Portugal avisa que a conta da vítima pode estar a ser usada como «conta mula», por onde passa dinheiro obtido de forma fraudulenta, e quem a empresta fica envolvido nesse circuito. Explicamos o risco em detalhe em conta mula: o que é e porque podes ser tu o acusado.

Quem são os alvos

A PJ identifica como alvos principais os jovens à procura do primeiro emprego e as pessoas desempregadas. São pessoas que procuram rendimento com urgência e que estão habituadas a responder a ofertas de trabalho, o que torna a mensagem inicial menos estranha.

O problema não é pequeno. Num inquérito da Global Anti-Scam Alliance divulgado pela DECO PROteste em junho de 2026, 77% dos portugueses inquiridos disseram ter sido alvo de pelo menos uma tentativa de burla online em 2025. O WhatsApp foi a plataforma mais referida (46%) e o Telegram apareceu em 16% dos casos. Sobre esquemas no Telegram, vê também burlas no Telegram: os esquemas mais comuns.

Sinais de alerta

Com base nas recomendações da PJ e do Banco de Portugal, desconfia sempre que:

  • Não te candidataste. Uma oferta que chega sem candidatura prévia, de um número desconhecido, é o primeiro sinal.
  • O pagamento é desproporcional. Tarefas que qualquer pessoa faz em minutos, como dar gostos, não costumam ser bem pagas.
  • Há pressa. Pedidos de decisão imediata ou de dados pessoais logo no início.
  • Te adicionam a grupos de desconhecidos. A PJ recomenda recusar a entrada nesses grupos. Temos um artigo sobre o que fazer quando te adicionam a um grupo de desconhecidos.
  • Pedem dinheiro adiantado. O Banco de Portugal lembra que as empresas legítimas não exigem pagamentos para contratar nem pedem dados sensíveis logo à partida.
  • Pedem a tua conta bancária ou o teu MB WAY para receber e transferir dinheiro de terceiros.
  • A empresa não se confirma. Não tem site oficial, morada física verificável nem contactos que consigas confirmar por outra via.

Como te proteger

  1. Verifica a empresa no site oficial, procura a morada e os contactos e confirma por um canal que não tenha vindo na mensagem.
  2. Não cliques em links enviados por desconhecidos nem instales aplicações a pedido deles.
  3. Nunca pagues para trabalhar. Nenhuma taxa, adiantamento ou «depósito de ativação».
  4. Não partilhes dados bancários, credenciais de homebanking nem códigos recebidos por SMS.
  5. Não emprestes a tua conta para movimentar dinheiro de outras pessoas, seja qual for a justificação.
  6. Ajusta as definições da tua app de mensagens para dificultar o contacto. Procura nas definições de privacidade da tua app a opção que limita quem te pode adicionar a grupos. No JaPassa, a opção chama-se «Quem me pode adicionar a grupos» (Todos, Os meus contactos ou Ninguém), em Privacidade.

Já caíste? O que fazer agora

  1. Contacta o banco imediatamente. É a recomendação da PJ e do Banco de Portugal. Quanto mais cedo, maior a hipótese de travar transferências.
  2. Para de pagar. Pedidos de «taxa de levantamento» ou «imposto» para recuperar o dinheiro são a continuação da burla.
  3. Guarda as provas: capturas de ecrã das conversas, números de telefone, nomes dos grupos, comprovativos de pagamento e IBAN para onde transferiste.
  4. Apresenta queixa na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária ou no Ministério Público.
  5. Denuncia e bloqueia os contactos na app. No JaPassa, «Denunciar» tem o motivo «Burla ou fraude» e permite enviar as últimas 10 mensagens à equipa e bloquear a pessoa no mesmo passo.
  6. Se a tua conta foi usada para receber dinheiro de outros, fala com o banco e com a polícia antes de devolver ou mover qualquer quantia.

Perguntas frequentes

Recebi mesmo dinheiro nas primeiras tarefas. Pode ser verdadeiro?

É precisamente assim que a burla funciona. Segundo o Banco de Portugal, os pagamentos iniciais servem para criar confiança antes de te pedirem dinheiro.

Não paguei nada, só respondi à mensagem. Corro riscos?

Se não partilhaste dados bancários nem códigos, o risco é baixo. Bloqueia o número, sai de qualquer grupo em que te tenham adicionado e ignora novas mensagens.

As empresas de recrutamento verdadeiras usam WhatsApp?

Algumas usam, mas depois de uma candidatura tua e com uma empresa que consegues confirmar. Nunca pedem pagamentos nem a tua conta bancária para movimentar dinheiro.

Posso recuperar o dinheiro?

Depende de quão rápido agires. Contacta o banco de imediato e apresenta queixa. Desconfia de quem te prometa recuperar o dinheiro em troca de um pagamento.

Fontes

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