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Burlas e fraudes

Chamada falsa do banco com o número verdadeiro: o que fazer

O número do banco no ecrã já não prova que é o banco a ligar. A partir do alerta da CGD de outubro de 2026, explicamos como funciona o esquema, o que um banco nunca pede e a regra de desligar e ligar tu.

Equipa JaPassa · · 5 min de leitura

Se te ligam do «banco» e o número no ecrã é mesmo o do teu banco, isso não chega para confiar. Com a técnica de spoofing, os burlões conseguem mostrar o nome ou o número verdadeiro do banco numa chamada ou num SMS. A regra que te protege é simples: desliga e liga tu para o número que está no teu cartão ou na app do banco. Um banco nunca te pede códigos, coordenadas do cartão matriz ou que vás ao Multibanco «cancelar» uma fraude.

O alerta da CGD de outubro de 2026

A 2 de outubro de 2026, a Caixa Geral de Depósitos publicou um alerta sobre um esquema em três passos:

  1. Chega um SMS ou email que imita o banco, com uma ligação.
  2. A ligação abre uma página falsa, parecida com a do banco, que pede credenciais de acesso e contactos.
  3. Depois, a vítima recebe uma chamada de um número que parece ser da Caixa. Do outro lado, alguém pede credenciais para «cancelar operações».

A CGD sublinha que o nome no SMS e o número que liga podem parecer legítimos, porque os burlões usam técnicas de spoofing para esconder a verdadeira origem. Acrescenta que os dados pessoais partilhados nas redes sociais também podem ser usados para tornar a conversa mais credível.

Porque o número no ecrã não prova nada

O spoofing é a falsificação do número ou do nome que aparece quando recebes uma chamada ou um SMS. O teu telemóvel mostra o que a rede lhe entrega e, nestes casos, essa informação foi manipulada. Por isso, o SMS falso pode até aparecer no mesmo fio das mensagens verdadeiras do banco, como explicamos em SMS falso do banco no mesmo fio das mensagens verdadeiras.

Não acontece só com bancos privados:

  • Em janeiro de 2024, o Banco de Portugal alertou para chamadas que imitavam o seu número geral, 213 130 000. Diziam à vítima que as contas tinham sido alvo de phishing e pediam que instalasse uma aplicação no telemóvel.
  • A GNR registou 193 casos de falsos polícias e inspetores entre janeiro de 2024 e maio de 2026, com o número verdadeiro de postos policiais no ecrã.
  • A ANACOM alertou em abril de 2026 para chamadas a partir do 800 206 665, o seu próprio número.

Aprofundamos a técnica em Spoofing: quando o número ou o nome no ecrã mente.

O que um banco não te pede

Segundo o alerta da CGD, o banco nunca:

  • envia SMS ou emails com ligações para avisar de movimentos suspeitos;
  • pede dados do cartão matriz ou códigos do SMS Token para cancelar operações;
  • pede dados pessoais ou de acesso ao homebanking por SMS ou email;
  • sugere que vás a uma caixa Multibanco para cancelar uma fraude.

O Banco de Portugal acrescenta outro sinal de alarme: não instales aplicações no telemóvel ou no computador a pedido de quem diz representar um banco.

A regra: desligar e ligar tu

Os burlões contam com a pressa e com o medo de perder dinheiro. A melhor defesa é tirar-lhes o controlo da conversa.

  1. Não confirmes nada. Nem códigos, nem dados do cartão, nem «só os últimos dígitos».
  2. Desliga a chamada, mesmo que a pessoa insista que a operação vai avançar.
  3. Espera um pouco antes de voltar a ligar, para teres a certeza de que a chamada anterior terminou.
  4. Liga tu para o número do banco que está no verso do cartão, no site oficial (escrito por ti) ou na app. Não uses a opção de devolver a chamada.
  5. Pergunta se há algum problema na tua conta. Se houver, resolves com quem sabes que é o banco.

Na Caixa Geral de Depósitos, a linha para particulares é o 217 900 790, disponível 24 horas por dia, todos os dias.

Já deste dados ou códigos? Age nos primeiros minutos

  1. Liga ao banco de imediato pelo número oficial e diz que foste vítima de fraude. Pede o bloqueio do cartão, do acesso online e das operações pendentes.
  2. Muda as credenciais de acesso ao homebanking a partir da app ou do site oficial.
  3. Se instalaste alguma aplicação a pedido de quem ligou, desliga o telemóvel da internet e fala com o banco antes de voltar a usar a app bancária.
  4. Guarda provas: hora da chamada, número que apareceu, SMS recebidos e movimentos.
  5. Apresenta queixa na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária ou no Ministério Público.

Para saber o que podes pedir ao banco depois, lê Fui burlado: como tentar recuperar o dinheiro com o banco.

Como proteger pais e avós

As chamadas falsas funcionam bem com quem confia no que vê no ecrã. Algumas regras fáceis de combinar em família:

  • Ninguém dá códigos ao telefone, seja quem for que diga estar a ligar.
  • Antes de mexer em dinheiro por causa de uma chamada, liga a um filho ou neto.
  • Um SMS com uma ligação a falar de «movimentos suspeitos» é para apagar: segundo a CGD, o banco não envia este tipo de ligação.
  • Cola no verso do telemóvel, ou guarda nos contactos, o número verdadeiro do banco, tirado do cartão.

Perguntas frequentes

Se o número está guardado nos meus contactos como «Banco», é seguro?

Não. Se o número for falsificado, o telemóvel associa-o ao contacto que guardaste e mostra «Banco». É exatamente isso que torna o esquema credível.

As apps de mensagens protegem-me disto?

Não diretamente: estas chamadas chegam pela rede telefónica normal. Em apps como o JaPassa, as chamadas só acontecem entre contas da app, e podes escolher «Quem me pode ligar» e ativar «Silenciar desconhecidos». Mas isso não altera as chamadas telefónicas comuns, onde a regra continua a ser desligar e ligar tu.

Devo denunciar mesmo que não tenha perdido dinheiro?

Sim. Avisar o banco ajuda-o a alertar outros clientes, e a queixa às autoridades ajuda a juntar casos.

Fontes

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