SMS dos CTT a pedir taxa da encomenda: como saber se é falso
Uma mensagem dos «CTT» a pedir uma pequena taxa por uma ligação é um dos esquemas mais comuns antes da Black Friday e do Natal. Vê exemplos, como confirmar e o que fazer se já pagaste.
Se recebeste um SMS ou uma mensagem de WhatsApp em nome dos CTT a dizer que a tua encomenda está retida e que tens de pagar uma pequena taxa por uma ligação, trata-a como falsa. É um esquema conhecido há anos: a página para onde a ligação te leva imita o site dos CTT e serve para roubar os dados do teu cartão. Não carregues na ligação e, se tens mesmo uma encomenda a caminho, confirma tu por outro caminho.
Como são as mensagens falsas
O texto muda, mas a estrutura repete-se. Estes são exemplos baseados nos alertas publicados:
«CTT: a sua encomenda não pôde ser entregue por falta de pagamento de uma taxa de 2,99 €. Regularize em (ligação falsa) para evitar a devolução.»
«Tentámos entregar a sua encomenda duas vezes. Confirme os seus dados e pague a taxa de serviço em «ligação falsa».»
Num alerta de 5 de julho de 2023, o Gabinete Cibercrime da Procuradoria-Geral da República descreveu uma campanha com estes elementos: a mensagem chegava sobretudo por WhatsApp (antes era por email e SMS), falava de uma encomenda por entregar e pedia uma taxa pequena, normalmente de 2 a 3 euros. Por vezes dizia que a entrega já tinha falhado e que a encomenda seria devolvida. Não havia encomenda nenhuma. Noutros casos, descritos pelo jornal Postal em 2024, a «taxa de serviço» era de cerca de 1 euro.
O que acontece quando carregas na ligação
- Abre uma página com o logótipo e as cores dos CTT.
- Pede o nome, o telefone e a morada, para parecer um processo real.
- Depois pede os dados do cartão: número, validade e código de segurança (CVV).
- Por fim pede o código que recebes por SMS do banco. Segundo o Ministério Público, os burlões usam os dados de imediato em compras, e esse código serve para confirmar essas compras em teu nome.
O valor baixo da taxa é de propósito: ninguém desconfia de 1 ou 2 euros. O prejuízo real vem depois, com as compras feitas com o teu cartão.
Porque aparecem tanto nesta altura
Na Black Friday e no Natal, quase toda a gente está à espera de uma encomenda, e é isso que torna a mensagem credível. O Centro Nacional de Cibersegurança indica, no Relatório Sociedade 2025, que as empresas de transportes e entregas são a segunda categoria de marcas mais imitadas no phishing, logo a seguir aos bancos. E segundo o inquérito da GASA divulgado pela DECO PROteste em junho de 2026, o SMS foi o canal mais referido nas tentativas de burla online (61%). Vê também os outros esquemas desta época em Burlas da Black Friday: encomendas, lojas e MB WAY falsos.
Sinais de que a mensagem é falsa
- Pede um pagamento através de uma ligação recebida por SMS ou WhatsApp.
- Cria pressa: «evite a devolução», «último aviso», «hoje».
- Não indica o que encomendaste nem a loja de onde vem.
- A ligação não leva ao site oficial dos CTT, mas a um endereço estranho, encurtado ou com letras trocadas.
- Chega de um número de telemóvel comum ou internacional.
- Pede o código que o banco te envia por SMS. Esse código autoriza pagamentos e nunca deve ser escrito numa página que abriste a partir de uma mensagem.
Antes de abrir qualquer ligação suspeita, há formas simples de a verificar. Explicamos em Como verificar se um link é seguro antes de abrir.
Como confirmar se a encomenda é verdadeira
- Não uses a ligação da mensagem. Nem para «ver se é verdade».
- Pergunta-te se encomendaste alguma coisa. Se não, apaga a mensagem.
- Vai à loja onde compraste. A confirmação da compra traz normalmente o número de seguimento e o nome da transportadora.
- Escreve tu o endereço do site oficial dos CTT no navegador, ou usa a app oficial, e procura a encomenda pelo número de seguimento.
- Na dúvida, contacta os CTT pelos canais que encontras no site oficial, nunca pelos contactos da mensagem.
Já pagaste? Faz isto pela ordem certa
- Liga ao teu banco imediatamente e pede o cancelamento do cartão. É o primeiro conselho do Ministério Público para quem já deu os dados.
- Pede ao banco que verifique movimentos recentes e contesta os que não reconheces.
- Se deste também dados de acesso ao homebanking, muda a palavra-passe a partir da app ou do site oficial do banco.
- Guarda provas: a mensagem, o número que a enviou, capturas da página e os movimentos.
- Apresenta queixa na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária ou no Ministério Público.
O que podes fazer para tentar recuperar o dinheiro está em Fui burlado: como tentar recuperar o dinheiro com o banco.
Perguntas frequentes
E se houver mesmo uma taxa a pagar?
Pode acontecer, por exemplo, com compras de fora da União Europeia. Mesmo assim, a regra prática não muda: não pagues através de uma ligação recebida por mensagem. Confirma o valor tu mesmo, no site oficial dos CTT ou junto da loja, e paga só por esses canais.
Carreguei na ligação mas não escrevi nada. Corro riscos?
O risco principal está nos dados que escreves. Fecha a página, apaga a mensagem e mantém o telemóvel atualizado. Se instalaste alguma coisa a partir dessa página, fala com o teu banco e procura ajuda técnica.
Como é que sabem que estou à espera de uma encomenda?
Normalmente não sabem. O alerta do Ministério Público fala de campanhas, ou seja, mensagens enviadas a muitas pessoas ao mesmo tempo. Basta que uma parte delas esteja à espera de uma encomenda para o esquema compensar. Por isso, avisa também os teus pais e avós: são muitas vezes os que mais confiam numa mensagem com o nome dos CTT.
Recebi isto no WhatsApp ou noutra app. Muda alguma coisa?
Não. O canal muda, o esquema é o mesmo. Em apps como o JaPassa, antes de abrir uma ligação aparece o aviso «Abrir link?» com o endereço completo, o que ajuda a reparar num domínio estranho. Mas a decisão final é tua: se a mensagem pede dinheiro ou dados do cartão, não avances.
Fontes
- Ministério Público, Gabinete Cibercrime — Alerta de phishing CTT (05/07/2023)
- Postal — A fraude das SMS dos CTT (10/07/2024)
- DECO PROteste — Como sobreviver à alfândega (encomendas de fora da UE)
- CNCS — Relatório Sociedade 2025 (abr. 2026)
- DECO PROteste — 77% dos portugueses alvo de tentativa de burla online em 2025 (01/06/2026)