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Burlas e fraudes

SMS dos CTT a pedir taxa da encomenda: como saber se é falso

Uma mensagem dos «CTT» a pedir uma pequena taxa por uma ligação é um dos esquemas mais comuns antes da Black Friday e do Natal. Vê exemplos, como confirmar e o que fazer se já pagaste.

Equipa JaPassa · · 5 min de leitura

Se recebeste um SMS ou uma mensagem de WhatsApp em nome dos CTT a dizer que a tua encomenda está retida e que tens de pagar uma pequena taxa por uma ligação, trata-a como falsa. É um esquema conhecido há anos: a página para onde a ligação te leva imita o site dos CTT e serve para roubar os dados do teu cartão. Não carregues na ligação e, se tens mesmo uma encomenda a caminho, confirma tu por outro caminho.

Como são as mensagens falsas

O texto muda, mas a estrutura repete-se. Estes são exemplos baseados nos alertas publicados:

«CTT: a sua encomenda não pôde ser entregue por falta de pagamento de uma taxa de 2,99 €. Regularize em (ligação falsa) para evitar a devolução.»

«Tentámos entregar a sua encomenda duas vezes. Confirme os seus dados e pague a taxa de serviço em «ligação falsa».»

Num alerta de 5 de julho de 2023, o Gabinete Cibercrime da Procuradoria-Geral da República descreveu uma campanha com estes elementos: a mensagem chegava sobretudo por WhatsApp (antes era por email e SMS), falava de uma encomenda por entregar e pedia uma taxa pequena, normalmente de 2 a 3 euros. Por vezes dizia que a entrega já tinha falhado e que a encomenda seria devolvida. Não havia encomenda nenhuma. Noutros casos, descritos pelo jornal Postal em 2024, a «taxa de serviço» era de cerca de 1 euro.

O que acontece quando carregas na ligação

  1. Abre uma página com o logótipo e as cores dos CTT.
  2. Pede o nome, o telefone e a morada, para parecer um processo real.
  3. Depois pede os dados do cartão: número, validade e código de segurança (CVV).
  4. Por fim pede o código que recebes por SMS do banco. Segundo o Ministério Público, os burlões usam os dados de imediato em compras, e esse código serve para confirmar essas compras em teu nome.

O valor baixo da taxa é de propósito: ninguém desconfia de 1 ou 2 euros. O prejuízo real vem depois, com as compras feitas com o teu cartão.

Porque aparecem tanto nesta altura

Na Black Friday e no Natal, quase toda a gente está à espera de uma encomenda, e é isso que torna a mensagem credível. O Centro Nacional de Cibersegurança indica, no Relatório Sociedade 2025, que as empresas de transportes e entregas são a segunda categoria de marcas mais imitadas no phishing, logo a seguir aos bancos. E segundo o inquérito da GASA divulgado pela DECO PROteste em junho de 2026, o SMS foi o canal mais referido nas tentativas de burla online (61%). Vê também os outros esquemas desta época em Burlas da Black Friday: encomendas, lojas e MB WAY falsos.

Sinais de que a mensagem é falsa

  • Pede um pagamento através de uma ligação recebida por SMS ou WhatsApp.
  • Cria pressa: «evite a devolução», «último aviso», «hoje».
  • Não indica o que encomendaste nem a loja de onde vem.
  • A ligação não leva ao site oficial dos CTT, mas a um endereço estranho, encurtado ou com letras trocadas.
  • Chega de um número de telemóvel comum ou internacional.
  • Pede o código que o banco te envia por SMS. Esse código autoriza pagamentos e nunca deve ser escrito numa página que abriste a partir de uma mensagem.

Antes de abrir qualquer ligação suspeita, há formas simples de a verificar. Explicamos em Como verificar se um link é seguro antes de abrir.

Como confirmar se a encomenda é verdadeira

  1. Não uses a ligação da mensagem. Nem para «ver se é verdade».
  2. Pergunta-te se encomendaste alguma coisa. Se não, apaga a mensagem.
  3. Vai à loja onde compraste. A confirmação da compra traz normalmente o número de seguimento e o nome da transportadora.
  4. Escreve tu o endereço do site oficial dos CTT no navegador, ou usa a app oficial, e procura a encomenda pelo número de seguimento.
  5. Na dúvida, contacta os CTT pelos canais que encontras no site oficial, nunca pelos contactos da mensagem.

Já pagaste? Faz isto pela ordem certa

  1. Liga ao teu banco imediatamente e pede o cancelamento do cartão. É o primeiro conselho do Ministério Público para quem já deu os dados.
  2. Pede ao banco que verifique movimentos recentes e contesta os que não reconheces.
  3. Se deste também dados de acesso ao homebanking, muda a palavra-passe a partir da app ou do site oficial do banco.
  4. Guarda provas: a mensagem, o número que a enviou, capturas da página e os movimentos.
  5. Apresenta queixa na PSP, na GNR, na Polícia Judiciária ou no Ministério Público.

O que podes fazer para tentar recuperar o dinheiro está em Fui burlado: como tentar recuperar o dinheiro com o banco.

Perguntas frequentes

E se houver mesmo uma taxa a pagar?

Pode acontecer, por exemplo, com compras de fora da União Europeia. Mesmo assim, a regra prática não muda: não pagues através de uma ligação recebida por mensagem. Confirma o valor tu mesmo, no site oficial dos CTT ou junto da loja, e paga só por esses canais.

Carreguei na ligação mas não escrevi nada. Corro riscos?

O risco principal está nos dados que escreves. Fecha a página, apaga a mensagem e mantém o telemóvel atualizado. Se instalaste alguma coisa a partir dessa página, fala com o teu banco e procura ajuda técnica.

Como é que sabem que estou à espera de uma encomenda?

Normalmente não sabem. O alerta do Ministério Público fala de campanhas, ou seja, mensagens enviadas a muitas pessoas ao mesmo tempo. Basta que uma parte delas esteja à espera de uma encomenda para o esquema compensar. Por isso, avisa também os teus pais e avós: são muitas vezes os que mais confiam numa mensagem com o nome dos CTT.

Recebi isto no WhatsApp ou noutra app. Muda alguma coisa?

Não. O canal muda, o esquema é o mesmo. Em apps como o JaPassa, antes de abrir uma ligação aparece o aviso «Abrir link?» com o endereço completo, o que ajuda a reparar num domínio estranho. Mas a decisão final é tua: se a mensagem pede dinheiro ou dados do cartão, não avances.

Fontes

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